O Jazz como reflexão do ideal democrático

Em tempos de radicalização, o Jazz se torna ainda mais relevante. Não existe jazz sem comunicação, sem empatia pela opinião do outro. A alquimia musical que vemos numa boa banda de jazz se dá através da interação de diferentes personalidades, diferentes perspectivas e culturas sob o mesmo objetivo; criar uma voz única, uma só expressão que englobe toda a humanidade contida ali.

Certa vez, quando perguntado sobre o porque do sucesso de suas diversas bandas, Miles Davis respondeu que saber juntar os diferentes gênios sobre o mesmo propósito era seu único mérito. Juntar os grandes talentos e vê-los trilharem as conversas entre si, achando soluções para questões levantadas por cada um a todo momento, como que numa grande espiral ascendente.

Por isso sempre repetimos na festa, ao apresentar as bandas, que o jazz é a expressão artística mais cristalina da democracia que almejamos viver. Não há democracia sem liberdade de expressão, sem respeito pela opinião contrária, sem o direito de pensar diferente. A interação entre seres humanos com diferentes histórias em busca de uma solução que eleve a condição humana (seja num show de jazz ou num corpo governamental) é onde devemos investir todas as nossas fichas nesse momento tão delicado da história humana.